(página da história curta e triste ”Hanshin” de Moto Hagio)
Hagio apresenta nas suas críticas um desejo recorrente para que se rompam generos, fronteiras, linhas imaginárias suscitando um certo inconformismo e desalento perante a hipocrisia nas relações sociais. Por isso, não faz sentido que olhem para Hagio e pensem num só genero…
Por outro lado, a Obra de Hagio está recheada de aspectos tão curiosos como complexos. Antropologicamente dir-se-ia que Hagio é uma figura incontornável da Sociedade Japonesa cuja obra nos ajuda a entender as mutações de que a sociedade vai sendo alvo. Visionária e crítica, ela desenvolve, clarifica e reage com certa rebeldia aos conceitos pré-estabelecidos de antemão por uma sociedade nem sempre equalitária. Pese embora as suas críticas possam ser universais, ela utiliza o microcosmos que é a Sociedade Japonesa para desenvolver pérolas do Manga como “Marginal”. Esta obra ajuda-nos a perceber um pouco desse caracter visionario de Hagio servindo como um ponto de partida para uma análise da Sociedade Japonesa actual onde as mulheres tendem ou são obrigadas a rejeitar a sua própria maternidade.
Moto Hagio marca o Manga como Akira Kurosawa, Masaki Kobayashi ou Takeshi Kitano marcam o Cinema Japônes!
