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21 Segunda-feira Mar 2011
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21 Segunda-feira Mar 2011
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12 Sábado Mar 2011
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Dia 11 de Março de 2011 será uma data que seguramente o povo japonês não esquecerá. A vida quotidiana viu-se subitamente abalada por um dos maiores tremores de terra da história, desde que existem registos.
Visto por muitos, como um país pós-apocalíptico, o Japão enxerga novamente uma situação extrema, assustadora e penosa, mas confiamos que a sua gente mostrará ao mundo, o espírito de solidariedade e superação que sempre os caracterizou, especialmente em desafios desta natureza, como foi no caso do famoso terramoto de Kobe.
[Força meu povo]
11 Sexta-feira Mar 2011
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Emblemática canção de Pedro Guerra que conta a lenda da Princesa Cathaysa: uma menina indígena que foi vendida como escrava aos Espanhois, em 1494. Acredita-se que depois disso, passou o resto dos seus dias em algum lugar de Espanha como menina de alguma senhora da alta sociedade.
Cathaysa
Se la llevaron los invasores
Levaram-na os invasores
cuando venía de la montaña
quando vinha da montanha
con su carguita de til y brezo
com a sua carguinha de til e urze
camino abajo por la quebrada,
caminho abaixo pela quebrada
se la llevaron de anochecida
levaram-na ao anoitecer
a la guanchita de Taganana*
a guanchita de Taganana
y el manojito de leña seca
e o molhinho de lenha seca
desbaratado quedó en Anaga.**
desbaratado ficou em Anaga.
Juguete de algún marqués,
Brinquedo de algum marquês,
menina de alguna dama,
menina de alguma dama,
sierva de grandes señores
servo de grandes senhores
en algún lugar de España,
em algum lugar de Espanha,
Cathaysa la niña guanche
Cathaysa a menina guanche
no verá más Taganana.
não verá mais Taganana.
Un gran silencio creció en la cumbre,
Um grande silencio cresceu no cume,
un aire helado bajó a la playa,
um ar gelado desceu à praia,
así de mudo se quedó el monte,
assim mudo ficou o monte
así de fría se quedó el agua.
assim fria ficou a àgua
*Taganana – uma freguesia de Santa Cruz de Tenerife
** Anaga – um dos cinco distritos de Santa Cruz de Tenerife nas Ilhas Canárias, Espanha.
Letra: aparentemente pelo Pai de Pedro Guerra
Música: Pedro Guerra
08 Terça-feira Mar 2011
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Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão
Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
tem cuidado…
Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado
(poema de autoria de Fausto)
08 Terça-feira Mar 2011
Posted in Sociedade
As coisas sempre parecem perfeitas, planeadas, há-de sempre haver esta harmonia cósmica, idealizada por alguém, que vigia à distância a nossa intervenção. O grande problema, são as adversidades que surgem num mundo desigual. A corrente negativista não é o meu forte, não é. Se bem que as coisas más estão por aí e atacam ferozmente quem pouco tem para se defender…
Onde se inspira um mundo que ascende ao ódio e ao medo? A injustificada violência que presenciamos dia a pós dia fará algum sentido?
As formas de violência são muitas. Mas a premissa fundamental continua a basear-se na nossa imoralidade e o vício de alguns em fecharem-se no casulo, revestirem-se do poder que a máscara lhes confere para serem senhores do seu mundo, no seu momento, ou pelo menos parece-lo. Sim, afinal dissimulamos, com certo encanto aquilo que realmente somos. Alguns conseguem conviver melhor e outros pior com a sua verdadeira natureza.
Poderia ser mais pronunciado, e alargar-me neste ponto mas isto serve de trampolim para a reflexão que proponho para esta entrada.
Não se pode culpar ninguém, nem viver com sentimentos de culpa. A estratégia, ser cordial mas discordar, não aceitar, não viver a mentira. Por este motivo é difícil aceitar de forma branda que recorramos insistentemente a eufemismos para classificar aquilo que verdadeiramente somos em muitas situações. Somos jogos de poder. Não necessariamente politico. A esfera social mais comprometida e consciente, mobiliza-se e bem para atacar verdadeiras chagas e lacras deste mundo complexo. Situações que poderiam ser resolvidas sem o recurso a medidas de amparo… Somos força e ambição. A vida em harmonia pode parecer simples. Mas não é ameno pensar que a violência vive dentro de nós, à espera de um sinal. Queremos atacar ou defender? Sobreviver? No desespero alguns viram o ódio contra os seus pares e o amor dissipa-se como um relâmpago. Onde está o amor? O que falha quando um ser humano é capaz de matar, chacinar das mil e uma formas…
Em muitas situações sociais, identificamos a presença de conflito submerso numa determinada dimensão religiosa – uma prática ou costume que emerge nas interacções humanas. No mundo do trabalho frequentemente se observa esta situação, a dimensão religiosa do trabalho controla o sujeito, que é capaz de executar sem aspirar a liberdade criando nele experiencias difíceis, por vezes traumáticas, que podem culminar no suicídio. Neste sentido, o conflito não se resume ao Saara, à Líbia, ao Egipto ou a várias dezenas de países. O conflito é antes uma entidade abstracta que assume formas “humanas” de controle, exerce violência gratuita e arbitraria contra aqueles que querem amar.
E se esse mesmo conflito existisse em nós, sempre que de alguma forma atropelássemos alguém? Como seria se tomássemos consciência que por cada atropelo por mais insignificante que seja, surge uma vítima e um agressor?