
Muito se tem falado sobre o novo Acordo Ortográfico e de que forma este alterará o nosso património linguístico-cultural. É natural que no meio de tanta desinformação surjam ”informações” disparatadas, desproporcionais e distorcidas deste acordo.
Devemos aceitar as divisões de opinião, a falta de consenso e o debate em que emergem sempre estas questões como uma forma construtiva de se alcançar uma situação ideal. Para um tema tão sensível como este, é expectável que surja controvérsia. Toda a comunidade lusófona, incluídos professores catedráticos, linguistas e escritores, permanece dividida.
Neste jogo, todas as partes têm os seus motivos e pretensões. Surge algum nacionalismo pouco comum numa sociedade como a Portuguesa e o verdadeiro motivo para este acordo das lusofonias passa-nos ao lado.
Sem entrar em questões de fundo, pois essas podemos deixa-las no punhado de alguns linguístas, uma das razões que me faz/faria acreditar neste acordo é o seu lado apaziguador e de união diplomática dos povos lusofonos evitando ser o que na prática é, um acordo ente o Brasil e Portugal. Negligenciando os povos Africanos, este acordo subscreve uma tendência crescente de maior entendimento entre Brasil e Portugal no domínio da Língua.
Outros motivos frequentemente evocados para esta revisão ortográfica residem em questões económico-culturais e de geoestratégia. Neste ponto convenhamos que uma maior difusão da língua não deve ser feita por unificações ortográficas estabelecidas por decreto, mas sim por conteúdos culturais de difusão. Por aí deveria passar uma estratégia de internacionalização da língua.
Como se deduz, isto é essencialmente uma questão diplomática e de bom senso. Esta revisão é mais do que aguardada pelos PALOP’s não me parecendo sensato deliberações precipitadas sobre este tema.
Apesar de todas estas considerações, o acordo em si pode não resultar. A promiscuidade e predominância de questões políticas, que arrastadas durante anos podem resultar num acordo onde “todos querem mexer”. A isso acrescente-se a resistência e inflexibilidade mais ou menos natural das sociedades em relação às suas identidades e símbolos nacionais. A representação mental e gráfica que temos sobre determinada palavra se alterada poderá gerar desconforto. Sendo uma questão muito séria do ponto de vista da adesão individual, não deve ser considerada na opinião de muitos linguistas e especialistas na matéria, como um problema facilmente resolvido por decreto e/ou iniciativas governamentais.
Para ultrapassar todas as questões demagógicas proponho-me a exemplificar o que faz parte e não faz parte deste acordo ortográfico e assim facilitar uma reflexão racional sobre o acordo!
A uniformização gráfica não será total como alguns meios de telecomunicação nos fazem acreditar mas isso ficará para um post futuro!