Pequenas Ideias: Moto Hagio, um só género Manga?

19 08 2008

 

 

 

(página da história curta e triste ”Hanshin” de Moto Hagio) 

 

Hagio apresenta nas suas críticas um desejo recorrente para que se rompam generos, fronteiras, linhas imaginárias suscitando um certo inconformismo e desalento perante a hipocrisia nas relações sociais. Por isso, não faz sentido que olhem para Hagio e pensem num só genero…

Por outro lado, a Obra de Hagio está recheada de aspectos tão curiosos como complexos. Antropologicamente dir-se-ia que Hagio é uma figura incontornável da Sociedade Japonesa cuja obra nos ajuda a entender as mutações de que a sociedade vai sendo alvo. Visionária e crítica, ela desenvolve, clarifica e reage com certa rebeldia aos conceitos pré-estabelecidos de antemão por uma sociedade nem sempre equalitária. Pese embora as suas críticas possam ser universais, ela utiliza o microcosmos que é a Sociedade Japonesa para desenvolver pérolas do Manga como “Marginal”. Esta obra ajuda-nos a perceber um pouco desse caracter visionario de Hagio servindo como um ponto de partida para uma análise da Sociedade Japonesa actual onde as mulheres tendem ou são obrigadas a rejeitar a sua própria maternidade.

Moto Hagio marca o Manga como Akira Kurosawa, Masaki Kobayashi ou Takeshi Kitano marcam o Cinema Japônes!





Pensar a China…

15 08 2008

 

Há tanto debate e prejuízo quando se pensa na China. Há tanta controvérsia em relação a um país tão longínquo… e mal paramos para pensar porque pensamos desta forma.

Colocando de lado qualquer ideologia vemos como este país cresce a um ritmo alucinante, num misto de economia de mercado e de uma política assente nos pilares de um comunismo pós-Mao. O discurso ocidentalizado/ americanizado da China “pobre”, “atrasada”, “contra as liberdades universais”,  bem presente em todas as camadas sociais reflecte duas coisas: a primeira, o desconforto/ medo  de conviver harmoniosamente com culturas diferentes da “nossa” e a segunda não menos importante, relativa à forma como os conglomerados de informação globais facilmente conduzem a sensabilidade “social” e as opiniões sócio-políticas  para perspectivas erradas, preconceituosas e até desumanas.

A retórica pode ter mudado nos últimos anos mas a verdade é que mantemos uma postura etnocêntrica que olha com desdém para as diferenças. Acrescente-se a retórica dos USA que insiste em instrumentalizar momentos chave como os Jogos Olímpicos  para destabilizar/ estigmatizar a China com a única pretensão de assegurar que esta abrande o seu crescimento económico e atribua aos USA a hegemonia económica.  Alguns autores já falaram em “balcanização” da China. Esperemos para ver o  desenrolar deste processo. Não obstante, algo está a acontecer…quando um país como os USA incluiu no seu discurso palavras como: liberdade de imprensa, direitos humanos ou até liberdade religiosa certamente são escolhidas a dedo com intenções não muito leais e diplomáticas. Como já é mais que sabido a única liberdade que os USA apoiam é a liberdade de obter lucro. Todos esses belos discursos são apenas meios para alcançar essa meta. Tudo não passa de retórica política ao mais alto nível.

Quem perde com este tipo de jogadas políticas é a humanidade no seu conjunto.  O pensamento humanísta não tem espaço em tão estreito corredor político. A China pode vangloriar-se pelos seus feitos nomeadamente, as profundas transformações políticas e sociais que tendo sido postas em prática no seu momento, permitem hoje e permitirão amanha que centenas de milhares ou até milhões de pessoas tenham progressivamente melhores condições de vida. É certo que muitas realidades coexistem num país tão imensamente povoado mas a verdade é que o verdadeiro desafio do povo chinês é organizar o país para um futuro melhor. Muitas novas gerações escaparam da pobreza e da pobreza extrema e abraçaram uma vida melhor e esta é a base que alimenta este sonho chinês. Esta política que apela ao crescimento desenfreado da economia tem-se revelado a única capaz de desenvolver suficiente riqueza para distribuir pelo país. É importante que todos tenham acesso a coisas que para alguns de nós europeus são elementares ( alimentação ou agua potável). Este desafio tem sido conquistado aos poucos convenhamos…mas tem havido essa tendência positiva.

Independentemente da condição política, racial ou religiosa todos os países têm a sua evolução histórica e natural. Não resumamos a condição de um povo através opiniões demagógicas (e por vezes de autoria de “outrem”) proferidas a partir de uma cómoda poltrona.

 

 

P.S. Apesar de merecer, em nenhum momento desta reflexão foi dada uma piada ao pitufo Francês Sarcozi e tão pouco falei das excentricidades que os Chineses se lembram de ter …pois o crescimento económico é tanto que…enfim… ^_^





-Educar para o machismo?-

23 07 2008

Da ficção aos papers académicos passando pela experiência pessoal apercebo-me como tão pouco se alteram aspectos fulcrais na criação de traços de carácter e de personalidade das crianças e jovens. Por vezes assisto com certa inquitude como por puro sensacionalismo ou ingenuidade social a comunicação social noticía eufemisticamente casos de “violência contra a mulher”. Há uma crescente falta de profundidade nesta questão que é lamentável! 

O Machismo que é quase uma doença crónica para todos aqueles a que “(in)voluntariamente” lhes foi imposto tem um peso substancial no índividuo mas também na sociedade onde se insere. Em Sociedades onde este “rasgo de carácter” é epidemia social resulta ou não num maior número de casos de violência? Sim? Não? Talvez…

Reflectindo um pouco mais sobre as potênciais razões para o machismo nas sociedades contemporâneas e colocando a tónica do debate na condição do feminino sob o ponto de vista da aceitação/ não aceitação do seu próprio Status quo  na esfera social, é plaúsivel embora perverso pensar da seguinte forma: “existirá machismo no feminino”?

Um artigo que li recentemente, (“o machismo das mães”;  Lima, 2006) falava de como através do “autoristarismo” e da condução de determindos valores morais nas “mães” (de um passado recente, mas ainda bem presente) é imprimida uma visão sistémica do mundo onde no centro se mantém o “homem”.

Sendo vitímas do machismo impregnado pelo Social não é de estranhar que muitas mães mostrem-se manifestamente incapazes de educar os seus filhos para serem não-machistas. (Lima, 2006)

A maior das ironias surge quando as próprias “mães” acham giro ter um filho “machão”, “duro”, “que mostre como é que é”!

Evidentemente, a cultura patriarca (política e religiosa) onde o “pai” era a lei ou uma figura de autoridade tem sido diluída nas últimas decadas fruto de uma luta travada pelos movimentos feministas contra uma cultura imposta durante centenas de anos que na nossa sociedade tinha como principal aliado uma Instituição de peso, a igreja.

Apesar da libertação feminina do dominus masculino a que se assistiu recentemente, ainda é dificil devido factores intrisecamente sociais e estereótipados, que a mulher preencha poderes tipicamente associados aos pais (no masculino). Quando é demasiado permissiva às exigencias/ pedidos dos filhos pode ser reforçado a imagem de “submissão feminina” ou inclusive um ”machismo precoce” do filho é “alimentado” tal como refere o psicanalista Raymundo de Lima: ” Quando uma mãe se cala diante de um “eu quero” do filho, de um “vou sair”, ou da sua falta de respeito por não fazer o que ela lhe pede, pode tanto reforçar a imagem de  submissão feminina como valorizar indevidamente o machismo precoce do filho.”

Muitas vezes nas brincadeiras inofensivas das crianças surge um carácter revestido de machismo. Já Freud debruçava-se sobre esta questão.  Os pais (mães e pais) autorizando este tipo brincadeiras acabam por promover um machismo consciente e autorizado ao filho não incentivando uma abordagem não-machista de tudo o que o rodeia reflectindo-se num rasgo importante de personalidade futura.

A cultura de séculos transformou-se em imperativo social e consequentemente numa feminilidade velada ao masculino. Por outro lado, sejamos conscientes do “teatro” que são os meios de comunicação social e praticamente toda a industria do entretenimento que transbordam as premissas do machismo do seculo XXI. Finalmente, na mentalidade actual urge silênciar ou reprimir sentimentos e emoções aos meninos incentivando-os sim à aventura, ao ser “macho”, desenvolvendo por outro lado principalmente na adolescencia atitudes irresponsáveis e de risco enquanto as meninas se mantêm “obedientes” ou condicionadas!

Fica a questão: Se o machismo tem como principal consequência violência dita doméstica (domesticada talvez seria a palavra mais adequada) porque insistimos em alimentá-lo nas nossas sociedades?





Em bom Português: “Correcto” ou “Correto”?

12 06 2008

 

Muito se tem falado sobre o novo Acordo Ortográfico e de que forma este alterará o nosso património linguístico-cultural. É natural que no meio de tanta desinformação surjam ”informações” disparatadas, desproporcionais e distorcidas deste acordo.

Devemos aceitar as divisões de opinião, a falta de consenso e o debate em que emergem sempre estas questões como uma forma construtiva de se alcançar uma situação ideal. Para um tema tão sensível como este, é expectável que surja controvérsia. Toda a comunidade lusófona, incluídos professores catedráticos, linguistas e escritores, permanece dividida.

Neste jogo, todas as partes têm os seus motivos e pretensões. Surge algum nacionalismo pouco comum numa sociedade como a Portuguesa e o verdadeiro motivo para este acordo das lusofonias passa-nos ao lado.  

Sem entrar em questões de fundo, pois essas podemos deixa-las no punhado de alguns linguístas, uma das razões que me faz/faria acreditar neste acordo é o seu lado apaziguador e de união  diplomática dos povos lusofonos evitando ser o que na prática é, um acordo ente o Brasil e Portugal.  Negligenciando os povos Africanos, este acordo subscreve uma tendência crescente de maior entendimento entre Brasil e Portugal no domínio da Língua.

Outros motivos frequentemente evocados para esta revisão ortográfica residem em questões económico-culturais e de geoestratégia. Neste ponto convenhamos que uma maior difusão da língua não deve ser feita por unificações ortográficas estabelecidas por decreto, mas sim por conteúdos culturais de difusão. Por aí deveria passar uma estratégia de internacionalização da língua.

Como se deduz, isto é essencialmente uma questão diplomática e de bom senso. Esta revisão é mais do que aguardada pelos PALOP’s não me parecendo sensato deliberações precipitadas sobre este tema.

Apesar de todas estas considerações, o acordo em si pode não resultar. A promiscuidade e predominância de questões políticas, que arrastadas durante anos podem resultar num acordo onde “todos querem mexer”. A isso acrescente-se a resistência e inflexibilidade mais ou menos natural das sociedades em relação às suas identidades e símbolos nacionais.  A representação mental e gráfica que temos sobre determinada palavra se alterada poderá gerar desconforto. Sendo uma questão muito séria do ponto de vista da adesão individual, não deve ser considerada na opinião de muitos linguistas e especialistas na matéria, como um problema facilmente resolvido por decreto e/ou iniciativas governamentais. 

Para ultrapassar todas as questões demagógicas proponho-me a exemplificar o que faz parte e não faz parte deste acordo ortográfico e assim facilitar uma reflexão racional sobre o acordo!

A uniformização gráfica não será total como alguns meios de telecomunicação nos fazem acreditar mas isso ficará para um post futuro!

 

  

 

 

 

 





Entretenimento, ócio e cultura – a Televisão –

7 12 2007

 

Hoje enquanto fazia zapping descobri um excelente trabalho jornalístico do Socíologo António Barreto. Um pequeno documentário sobre os “50 anos de televisão em Portugal”, resultando ser um balanço critíco ao impacto que essa “caixinha” tem despertado nas gentes deste pequeno país chamado Portugal.

Embora, sem oportunidade para ver o trabalho na íntegra comprendi cabalmente a sua mensagem.

A televisão é um poderoso instrumento de manipulação de massas que vai moldando os telespectadores em função dos seus próprios interesses.

Apresentou um breve estudo comparativo entre as diversas televisões portuguesas, as suas audiências, a questão da publicidade, o rigor e critérios jornalisticos dos seus programas de informação, traçando um diagnóstico muito útil para quem se preocupa com estas questões. O resultado não poderia ser outro. A Televisão Portuguesa está enferma e adoeceu há muito, muito tempo.

“50 horas de Informação, 70 de Concursos e Talk-shows, 80 de Telenovelas e afins. “

Todavia, nos últimos anos, foram alteradas profundamente as regras do jogo abrindo um corredor de liberdade àqueles que não vêm as suas necessidades culturais, de entretenimento e informação entregues a uma maquina incípida, mas carregada de mecanismos de aculturação. Com o advento da internet enquanto nova forma de comunicação, surgiu um concorrente directo capaz de destronar a posição confortável deste orgão de comunicação social.





Sense of Time

18 10 2007

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Onde surgiu a necessidade de controlar a imensidão do tempo, porque motivo nos é tão importante e porque lhe atribuímos significados vários? Todos temos um “sense of time”.

Actualmente, o tempo passa a uma velocidade estonteante. Tudo se tornou frenético. A velocidade associada à ideia generalizada de necessidade de evasão pela qualidade de vida, dinheiro ou estatuto social, transformou a concepção de tempo. O ser humano vê-se assim, mergulhado numa constante necessidade de entertenimento, diversão – excessos e uma maior deshumanização – que não são mais do que uma ruptura consigo mesmo.

Qual é o teu “sense of time”?